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O cidadão terrícola atinge o fim do segundo milênio, atirado à crista das ondas turbilhoantes de uma civilização eletrificada, servida por computadores e robôs, deslumbrada pelo transplante de órgãos e consagrada pela conquista da Lua.  Mas, infelizmente, ela já não duvida de que se encontra a beira de implacável destruição provocada pelo excesso de ambição, ateísmo, orgulho e imoralidade. O homem moderno, exclusivamente preocupado com a saúde e a eficiência do seu equipo orgânico, procura extrair dele o maximo de gozo e prazeres ilusórios, embora ainda não saiba o que é, de onde vem e para onde vai.
Requinta-se no vestir, comer e divertir-se. Ativa epicuristicamente todos os desejos e vive as mais indisciplinadas emoções, porem sem conseguir libertar-se do pelourinho das sensações. Através de uma vivência desnaturada e sem qualquer controle sensorial, confundindo a exploração insensata do seu corpo carnal com a autenticidade humana, o cidadão terrícola vive submisso ao primarismo de uma existência física sem qualquer identificação com o espírito imortal. Abusando da mediocridade e transitoriedade dos prazeres carnais, ele caminha entontecido para o tumulo, copiando o turista de aparelho fotográfico a tiracolo, que fixa paisagens e edificações desconhecidas, mas não promove qualquer renovação intima.........
Em verdade, a atual civilização terrena já atingiu alto grau na sua capacidade criadora no manuseio das formas materiais e de modelos institucionais socioculturais, mas, ainda permanece espiritualmente imatura, em relação ao homem das cavernas. Os homens atuais mentalmente se assemelham a macacos soltos num palácio de cristal, de cuja beleza não se apercebem e cujo objetivo ignoram, e se desajustaram da mata virgem e primitiva. Assim, devem ser devolvidos com urgência ao ambiente amigo e afim da antiga vida selvagem e de plena liberdade dos instintos inferiores. Impossibilitados de se adaptarem às responsabilidades morais e aos objetivos de uma vida espiritual superior, a própria lei evolutiva os depõe novamente no berço da civilização. Os homens ainda são criaturas tribais e com hábitos primários, que requerem o seu mais breve retorno às cavernas paleolíticas, como filhos pródigos que regressam ao convívio da parentela hirsuta.
É visível na humanidade atual o sintomático movimento de retorno mental, em que dois terços de terrícolas retomam velhos hábitos, gostos e preferências infantis e anacrônicas, confundindo instintividade com novidade. Pressentindo a impossibilidade de equilíbrio e harmonia no seio da futura humanidade selecionada a direita do Cristo, então, só resta a esses retardatários do progresso espiritual no trato da matéria, o retorno saudosista à idade da pedra, a cujo modo de vida estão intimamente ligados e familiarizados. A sintonia mais flagrante desse primarismo, em que certa percentagem da humanidade terrícola parece ter atingido um limite de suas possibilidades evolutivas, verifica-se, pouco a pouco, em quase todas as atividades atuais, inclusive na formulas de exteriorizações mentais, embora disfarçadas com recursos e roupagens modernas. Acentua-se o mau gosto pelo berrante e grotesco, o culto incondicional à linguagemescatologica, e já se admite como novidade o “palavrão”, que antes era um direito de expressão apenas aos delinqüentes ou sem qualquer educação. A poesia, literatura, cinematografia e o teatro são glorificados também com motivos fesceninos do sexo requintado; pinturas rasantes, caricatas, primarias e entulhos de tintas berrante extasiam os esnobes, malgrado elas traírem em sua base as garatujas infantis das grutas pré-históricas; a escultura moderna, apesar de sofismada mensagem simbolista
esotérica ou pesquisa inusitada, lembra o mau aproveitamento de um leilão de saldos de matéria-prima. A musica preferida é dissonante e histérica, sem melodia e inspiração, e seu fundo sonoro trai o ritmo selvagem, a gritaria dos requebros musculares do velhos caiapós e xavantes.  Admite-se como autenticidade e estesia as praticas sexuais livres, enfraquecendo costumes e inferiorizando níveis sociais, o que é pura libidinagem, uma vez que ninguém prega a exposição em publico das necessidades fisiológicas, o que também não deixaria de ser um culto pelo autêntico. Astros da TV e da cinematografia fazem confissões extemporâneas e escandalosas, demonstrando suas preferências pervertidas e condenáveis , que terminam consagrados pela imprensa e pelo povo. É a própria figura do anticristo, modelada pela turba subvertida e licenciosa, que, ao expor em publico as suas mazelas pecaminosas, lança um desafia e desforra-se da mensagem de pureza e moral do Evangelho pregado por Jesus.

Oxalá as paginas sedativas, amorosas e libertadoras do Evangelho do Amado Mestre Jesus ainda possam inspirar muitos terrícolas para sustar em tempo os seus passos à beira do abismo, livrando-os da trágica imigração para um mundo inferior, inóspito e selvagem, onde a insânia, a brutalidade e crueldade justificam aquele conceito evangélico, que assim adverte através de João “E aqueles que não se encontram no Livro do Cordeiro serão lançados no tanque de enxofre e nas regiões de uivos e ranger de dentes”.
Sob o invólucro exterior dessa advertência atribuída ao Senhor, então, se verifica que as criaturas sem as virtudes assinaladas no Evangelho do Cristo - Jesus serão exiladas para um mundo expiatório simbolizado no “tanque de enxofre”, isto é, um orbe tão primário e selvático, que sua vivencia cruel e violenta da animalidade indisciplinada enquadra-se perfeitamente na descrição de uivos e ranger de dentes, que é a manifestação característica da vida inferior.
Ramatís

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